O registro recente de casos de febre maculosa no Espírito Santo acendeu um alerta das autoridades de saúde, especialmente após a confirmação de uma morte em 2026. A vítima foi uma criança de dois anos, moradora de Boa Esperança, no Norte do Estado.
De acordo com o subsecretário de Vigilância à Saúde, Orlei Amaral Cardoso, já foram contabilizados três casos da doença neste ano. O cenário preocupa, principalmente ao considerar os dados de 2025, quando o Espírito Santo registrou 18 infecções e três óbitos, conforme a Secretaria da Saúde do Espírito Santo.
A transmissão da doença ocorre por meio do carrapato-estrela (Amblyomma cajennense), comum em áreas onde há presença de animais como capivaras e cavalos. Segundo o subsecretário, ambientes rurais oferecem maior risco de contágio, já que o parasita permanece na vegetação e pode se fixar na pele ou nas roupas de quem circula por esses locais.
Orlei chama atenção para o fato de que o contato com o carrapato nem sempre é direto. “Nem sempre a pessoa esteve no local onde há carrapato. Alguém pode ter passado por uma área contaminada, levando o parasita na roupa e, ao chegar em casa, ele se fixa em outra pessoa”, alertou. Por isso, ele recomenda a inspeção constante do corpo e das vestimentas, além de evitar levar roupas potencialmente contaminadas para dentro de casa.
Os sintomas da febre maculosa podem ser confundidos com outras doenças comuns, como dengue e chikungunya. Entre os principais sinais estão febre alta de início repentino, dor de cabeça intensa, dores musculares, náuseas e manchas pelo corpo. Essas manchas, segundo o subsecretário, costumam aparecer inicialmente nas palmas das mãos e solas dos pés, podendo se espalhar.
Diante de qualquer suspeita, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente e informar possível exposição ao carrapato. “Também é importante que o paciente relate ao médico que esteve em locais onde existem carrapatos, ou se retirou algum carrapato do corpo, para um diagnóstico rápido”, destacou.
O diagnóstico da doença é feito por exame de sangue, mas o tratamento não deve aguardar a confirmação laboratorial. Isso porque, conforme explica Orlei, o carrapato precisa permanecer entre quatro e seis horas fixado na pele para transmitir a bactéria, e os sintomas podem surgir entre dois e 14 dias após a picada.
Entre as medidas de prevenção, o subsecretário orienta o uso de roupas claras e de manga longa em áreas de risco, além de botas fechadas e repelentes. Também é recomendado verificar o corpo com frequência, retirar o carrapato com pinça — evitando contato direto com as mãos — e higienizar as roupas com água quente ou armazená-las para congelamento após o uso.
Por fim, Orlei reforça que o tempo é determinante para o desfecho dos casos. “Quando há demora no diagnóstico, as chances de agravamento aumentam e, em alguns casos, não é possível reverter o quadro. Por isso, a informação e a prevenção são as melhores formas de salvar vidas”, concluiu.







































































