O Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) lançou, nesta terça-feira (27), o Fundo de Descarbonização do Espírito Santo, uma iniciativa inédita voltada ao financiamento da transição energética e à redução das emissões de gases de efeito estufa. Apresentado em cerimônia no Palácio Anchieta, em Vitória, o fundo opera sob gestão da BTG Pactual Asset Management e utiliza a estrutura de blended finance (financiamento misto) para unir capital público e privado, com a expectativa de superar R$ 1 bilhão em investimentos nos próximos anos.
O lançamento posiciona o estado na vanguarda do financiamento sustentável no Brasil. O mecanismo é ancorado no Plano de Descarbonização e Neutralização das Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do Espírito Santo, que estabelece metas de redução de 27% das emissões até 2030 e a neutralidade de carbono até 2050.
Para viabilizar a operação, o fundo nasce com um aporte inicial de R$ 500 milhões provenientes do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses), recurso originado dos royalties da exploração de petróleo e gás. A estes valores somam-se os investimentos da iniciativa privada, captados pela gestora BTG Pactual. O objetivo é transformar receitas de combustíveis fósseis em alavancas para uma economia verde.
Modelo financeiro e governança
Estruturado como um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), o projeto contou com a parceria técnica do Instituto Clima e Sociedade (iCS), que auxiliou no desenho do instrumento e na identificação de demandas. O modelo de financiamento misto permite que o fundo permaneça aberto a novos investidores, ampliando sua capacidade de atuação.
Segundo o governador Renato Casagrande, a iniciativa consolida uma agenda climática trabalhada há anos pelo Executivo estadual
“Temos tratado a agenda climática no Espírito Santo com ações concretas há muitos anos. Agora damos um passo ainda mais decisivo ao criar um fundo que transforma recursos provenientes de combustíveis fósseis em investimentos para financiar a transição energética. É assim que unimos desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e qualidade de vida para as próximas gerações”, afirmou.
O vice-governador Ricardo Ferraço reforçou o caráter inovador da medida.
“Aqui no Estado trabalhamos com foco no futuro, alcançando pioneirismo ao criar um dos maiores fundos subnacionais de descarbonização do País e o primeiro a transformar royalties de petróleo em investimentos verdes dessa escala”, pontuou.
Setores prioritários e critérios de investimento
O Fundo de Descarbonização financiará projetos de empresas com sede fiscal no Espírito Santo, por meio da aquisição de títulos de crédito. Os investimentos devem estar alinhados a quatro eixos transversais: minimização de emissões, aumento da eficiência, compensação de emissões e remoção/captura de carbono.
De acordo com o edital, os principais segmentos contemplados incluem:
- Geração de energia renovável (solar, eólica, biogás e biometano);
- Tecnologias limpas na indústria;
- Eficiência energética e eletrificação logística;
- Reflorestamento e agricultura regenerativa;
- Biocombustíveis e transporte de baixa emissão (eletrificação de frotas);
- Gestão de resíduos e reciclagem.
O diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, destacou que a política de investimentos possui critérios rigorosos.
“O Fundo de Descarbonização é resultado de uma política pública desenhada para garantir que os investimentos contribuam efetivamente para o cumprimento do pacto de neutralidade de carbono assumido pelo Espírito Santo”, explicou Saintive.
Para acessar os recursos, os empreendimentos deverão comprovar conformidade com normas ambientais, de saúde e segurança do trabalho, além de manter a regularidade fiscal com a União e o Estado. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento, por meio da agência NOVA ES, atuará na atração de projetos e na conexão com o setor produtivo.
Gestão e atração de capital privado
A BTG Pactual Asset Management foi selecionada em 2025 após uma chamada pública que envolveu 11 candidatas. A gestora será responsável pela análise dos projetos, originação e gestão do portfólio. Sergio Cutolo, sócio da BTG, ressaltou a união entre governança e impacto.
“O Fundo de Descarbonização do Espírito Santo representa um avanço relevante na forma como políticas públicas e capital privado podem atuar de maneira complementar. Nosso objetivo é levar essa agenda a um novo patamar, conectando empresas com projetos transformadores e investidores que buscam unir retorno financeiro consistente ao incentivo a políticas ESG”, disse Cutolo.
Maria Netto, diretora-executiva do iCS, enfatizou o papel estratégico dos bancos de desenvolvimento na mobilização de capital.
“O mecanismo criado pelo Bandes é pioneiro no Brasil ao direcionar recursos de origem fóssil para acelerar a transição energética. Trata-se de uma experiência que deve servir de inspiração para outros estados”, avaliou.
Os detalhes operacionais finais, incluindo procedimentos específicos para a submissão de propostas pelas empresas interessadas, serão divulgados em breve pelos organizadores.













































































