Um novo ciclo de crescimento para a indústria de petróleo e gás no Espírito Santo está no radar dos próximos anos. De acordo com a 9ª edição do Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural no Estado, divulgada nesta terça-feira (14) pelo Observatório Findes, a previsão é de R$ 38,4 bilhões em investimentos até 2031.
O levantamento reúne informações detalhadas sobre o setor e aponta projetos de nove empresas com atuação no território capixaba, entre elas Petrobras, Prio, BW Energy, ES Gás, Shell, Prysmian Group, Imetame, Seacrest e NBS Petróleo e Gás.
Entre os aportes previstos, a Petrobras concentra a maior fatia, com R$ 29 bilhões programados até 2030 — sendo R$ 17 bilhões já em andamento. Os recursos estão direcionados principalmente à exploração e produção, com destaque para o FPSO Maria Quitéria, no Parque das Baleias. Também aparecem como iniciativas relevantes o desenvolvimento do campo de Wahoo, liderado pela Prio, com cerca de R$ 4,5 bilhões, e os polos Golfinho e Camarupim, sob responsabilidade da BW Energy, que devem somar R$ 3,6 bilhões em investimentos até 2030.
As projeções indicam que o Estado deve atingir um novo pico produtivo em 2027. Até lá, a produção tende a crescer, em média, 13,5% ao ano entre 2025 e 2027, alcançando cerca de 248,4 mil barris de petróleo por dia e 6,2 milhões de metros cúbicos diários de gás natural. O avanço será impulsionado principalmente pela produção offshore, com crescimento anual estimado em 13,8%, apoiado pela entrada em operação do campo de Wahoo, pela ampliação no campo de Golfinho e pela aceleração do FPSO Maria Quitéria no campo de Jubarte.
A relevância do setor para a economia capixaba foi destacada pelo presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Paulo Baraona, que ressaltou a retomada da segunda posição do Estado entre os maiores produtores de petróleo do país, após seis anos. Segundo ele, a expectativa é de continuidade no crescimento e de ampliação dos impactos positivos em diferentes áreas da economia.
Dados apresentados pela economista-chefe da Findes, Marília Silva, mostram que a cadeia produtiva do petróleo e gás no Estado reúne 652 empresas, responsáveis por 17,2 mil empregos formais diretos, com remuneração média considerada elevada.
Apesar do cenário de expansão no curto prazo, o anuário também aponta uma mudança de tendência a partir de 2028, quando deve começar o declínio natural da produção nos campos capixabas, reflexo do amadurecimento das reservas — movimento observado em todo o país.
Nesse contexto, ganha espaço um novo segmento: o descomissionamento de estruturas offshore. Atualmente, 26 projetos já contam com aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, somando cerca de R$ 4,8 bilhões em investimentos. A expectativa é que esse mercado abra oportunidades para empresas especializadas e posicione o Espírito Santo como referência nacional nesse tipo de operação.















































































